quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Lista: Filmes Vistos em Novembro

A lista a seguir reúne os filmes que eu vi durante o mês de Novembro, com um breve comentário sobre cada um deles, além de uma nota de 1 a 5 para cada um.

Zombie – O Despertar dos Mortos – George A. Romero: Filme admirável. Particularmente, o achei bem melhor que o "Noite dos Mortos Vivos", que o Romero havia feito há alguns anos. 
Aqui o diretor demonstra total controle da narrativa, envolvendo o espectador, fazendo-o se importar com os personagens, e consegue ainda incluir uma crítica muito forte ao consumismo, com um senso de humor único e afinadíssimo. Nota: 5/5
A Colina Escarlate – Guillermo del Toro: A história em si não é nada demais, sendo até um pouco previsível em suas reviravoltas, mas isso acaba nem importando muito, pois ela é contada de uma maneira fascinante. Todo o designe do filme é perfeito, e Guillermo Del Toro consegue dar à narrativa um tom gótico com uma pitada muito precisa de terror, resultando em uma experiência única e marcante. Nota: 4/5

O Pensionista – Alfred Hitchcock: Muito legal ver como o Hitchcock já transbordava personalidade desde o início da carreira, mesmo que ainda lhe faltasse um pouco do domínio completo sobre o público que ele iria demostrar em produções futuras. Nota: 4/5

Chef – Jon Favreau: Não tem nada de inovador ou particularmente marcante, mas é extremamente bem executado e consegue divertir muito e ainda emocionar, ainda que os minutos finais se renda à mais pura previsibilidade. Nota: 3/5

Sherlock Jr. – Buster Keaton: Filme excelente! Funciona como uma linda carta de amor ao Cinema, ao mesmo tempo em que traz sequências brilhantes e inesquecíveis (aquela que envolve uma motocicleta é minha favorita). Só não acho que seja perfeito pois senti um pouco de falta de sensibilidade no drama humano, mas nada de mais. Nota: 5/5

Foi Apenas Um Sonho – Sam Mendes: É um bom filme, mas bem irregular. Em vários momentos dá a impressão de que vai ser um drama de primeira apenas para em seguida ficar aborrecido e arrastado. Como um todo vale a pena, mas é impossível não se decepcionar. Nota: 3/5

O Homem Que Sabia Demais (1934) – Alfred Hitchcock:Mesmo com problemas de ritmo e soando até um pouco "esquisito" em alguns momentos (talvez pela falta quase que completa de trilha sonora), ainda é um filme que vale muito a pena, sendo original e recheado de momentos inspiradíssimos (destaque, obviamente, para a cena da orquestra). Agora fiquei bastante curioso para ver a refilmagem, já que os problemas do filme são claramente derivados da relativa falta de experiência do Hitchcock. Nota: 4/5

Aurora – F. W. Murnau: Que filme lindo. Sem dúvidas, à frente de seu tempo.
A empregada chorando de emoção no final; o casal caminhando abraçado na rua; o homem chorando arrependido enquanto sua mulher o consola; estão todos entre os momentos mais emocionantes que eu já vi em um filme. Nota: 5/5

A Estalagem Maldita – Alfred Hitchcock: Achei bem ruinzinho... confesso que só vi até o fim porque é do Hitchcock, e também porque não tenho o costume de parar filmes no meio. Nota: 2/5

O Marido Era o Culpado – Alfred Hitchcock: Tem ótimas ideias e alguns momentos marcantes (destaque para a cena envolvendo uma bomba e outra mais para o fim que se passa em um jantar), mas não deixa de ser um pouco arrastado e até um pouco entediante. Acho que se o Hitchcock tivesse feito esse filme mais para frente em sua carreira, quando estava mais amadurecido, poderia ter ficado melhor. Nota: 3/5

Um Sonho de Liberdade – Frank Darabont: Não é a toa que já é um clássico, pois não apenas é excelente, com ótimos personagens e interessantes questões sobre os efeitos da prisão no ser humano, como também traz um dos finais mais gratificantes que eu já vi em um filme, tornando-o quase impossível de se não gostar. Nota: 5/5

Olga – Jayme Monjardim: O filme é muito muito fraco. A história real até poderia resultar em algo interessante se não estivesse nas mãos de roteiristas completamente incompetentes e de um diretor que não tem a mínima ideia do que está fazendo. Nota: 2/5

Hot Girls Wanted – Jill Bauer e Ronna Gradus: Achei bem interessante, consegue expor muito bem a realidade de exploração travestida de luxo em que vivem muitas jovens atrizes, ainda que o filme exagere um pouco da exposição, como quando insiste em interromper os depoimentos para incluir letreiros que só servem para dizer o que já estava subentendido. Nota: 3/5

Amores Expressos – Wong Kar-Wai: Lendo aqui algumas críticas percebi que o filme não falou comigo nem metade tão bem quanto com outra pessoas, mas ainda assim o achei interessante. O roteiro tem várias sacadas bacanas, e a direção inquieta do Wong Kar-Wai cai muito bem à proposta da narrativa. Outra coisa interessante é que a trilha sonora é muito bem utilizada, por mais que praticamente se resuma a uma única música. Nota: 3/5

A Aventura – Michelangelo Antonioni: Um filme que é incapaz de provocar emoção alguma durante seus 140 minutos.
De qualquer maneira, deixo um frase bonita do Roger Ebert sobre os personagens (que é um elogio): "They are like bookmarks in life: holding places, but not involved in the story". Nota: 3/5
Vício Inerente – Paul Thomas Anderson: Vendo uma segunda vez o filme fica um pouco mais divertido (a cena do Doc desviando dos policiais é hilária), mas ainda é disparado o mais fraco do Paul Thomas Anderson e incapaz de causar o impacto desejado. Nota: 3/5

Chantagem e Confissão – Alfred Hitchcock: Acho que entre os primeiros filmes ingleses do Hitchcock este seja um dos melhores, e é também o primeiro a trazer quase que todos os elementos que marcariam sua rica carreira. Nota: 4/5

007 Contra Goldfinger – Guy Hamilton: Até agora, dentre os filmes da série protagonizados pelo Sean Connery, este foi o que eu mais gostei. 
A trama é bem mais simples do que as anteriores, mas particularmente achei isso uma vantagem já que em nenhum momento deixa o espectador confuso. Além disso, as sequências de ação são muito bem dosadas, sem nunca ficarem cansativas ou exageradas.
Este é também o primeiro filme a ter uma preocupação maior com o James Bond como personagem, e sua motivação pessoal dá um gás muito interessante ao roteiro. Em relação ao vilão, a única coisa que acho que deixou um pouco a desejar foi a escolha do ator, porque por mais que Gert Fröbe faça um ótimo trabalho, senti um pouco de falta de uma frieza um pouco maior, ainda que isso não seja o suficiente para comprometer o personagem. Nota: 4/5
Batismo de Sangue – Helvecio Ratton: Filmaço. Um dos melhores (provavelmente o melhor) filmes sobre ditadura militar no Brasil. Acerta ao já iniciar adiantando o final trágico, criando assim uma atmosfera de tristeza e melancolia que percorre toda a narrativa, o que é reforçado pela fotografia suja e quase sem cores. 
As atuações também são ótimas, destaque para Caio Blat que conduz o filme com uma sensibilidade tocante, e também para Cássio Gabus Mendes, que foge da caricatura e interpreta Fleury (um dos inúmeros militares que morreram sem pagar pelos seus crimes) de maneira detestável, mas sem nunca soar artificial. Nota: 5/5
Tudo Por Justiça – Scott Cooper: É um bom filme, ainda que irregular. Sua principal força está no talento de seus atores (destaque para Christian Bale) e em sua primeira metade, quando estabelece os personagens e o contexto em que eles vivem de maneira cuidadosa e muito competente. 
Já em sua parte final, quando a narrativa ganha um toque maior de ação e não tanto de drama, o filme cai bastante de qualidade, se sustentando apenas pelas virtudes que já havia estabelecido, mas pelo menos se encerra de maneira acertada e impactante, ainda que previsível, conseguindo levar o espectador satisfeito aos créditos finais. Nota: 3/5
Aliança do Crime – Scott Cooper: Achei bem mediano, ainda que com bastantes qualidades. A maquiagem de Johnny Depp às vezes soa um pouco exagerada demais, mas sua atuação é boa o suficiente para conseguir esconder isso. A direção de Scott Cooper também é competente, conseguindo usar de maneira muito interessante a trilha sonora e a violência para criar sequências marcantes. Mas o principal problema do filme está no roteiro, que peca pelo excesso de personagens (e o fato de ser baseado em uma história real não é desculpa) e também por se arrastar muito mais do que o necessário, deixando a trama muitas vezes desinteressante e desperdiçando seu potencial, que é bem alto. Nota: 3/5

Solaris – Andrei Tarkovski: Confesso que não estava lá muito animado para ver um filme de quase três horas e que tem como uma das principais características conhecidas a lentidão da narrativa, mas depois de tomar coragem... Uau! Fiquei completamente hipnotizado pelo filme, sem desgrudar o olho por um segundo. 
Algumas questões ainda me deixaram um pouco confuso, principalmente em relação ao final, mas isso não me impediu de imergir na trama e aproveitá-la ao máximo.
Acho curioso que tanta gente compare este filme ao 2001 do Kubrick (o que é até compreensível levando em consideração que se tratam de ficções mais reflexivas, e também são sobre viagens espaciais feitas em países antagonistas na corrida espacial), mas na minha visão os dois filmes são quase que opostos. 2001 tem uma visão muito mais "carnal" e racional do Homem e da Evolução, enquanto este Solaris tem uma visão que traz muito mais sobre espiritualidade e crença (e o fato dos EUA serem um "país cristão", enquanto a URSS era um "país ateu" adiciona um ironiazinha interessante às obras). Nota: 5/5
Beasts of No Nation – Cary Joji Fukunaga: É um bom filme, bem dirigido, com uma excelente fotografia e um roteiro redondinho, mas também bem burocrático e que não se permite correr nenhum risco. Nota: 3/5

Jobs – Joshua Michael Stern: Insuportavelmente chato. A história real é até que interessante, mas a maneira como ela é contada é exagerada, artificial e esquecível. Nota: 2/5

Sr. Holmes – Bill Condon: Acerta por apostar muito mais nos personagens do que na trama, contando com a ajuda das excelentes atuações (destaque, é claro, para Ian McKellen) que criam personagens carismáticos e sensíveis, e que fazem da narrativa uma experiência única e tocante. Nota: 4/5

Pacto Sinistro – Alfred Hitchcock: Filmaço! Entra facilmente entre os melhores do Hitchcock, e acho que junto com "A Sombra de Uma Dúvida" seja o que melhor defina seu estilo. 
Além disso, o filme ainda traz duas das melhores sequências já filmadas pelo cineasta, uma envolvendo uma montagem paralela entre um jogo de tênis e um personagem tentando alcançar um objeto no bueiro, e outro envolvendo um carrossel desgovernado. Nota: 5/5
Sob o Domínio do Medo – Rod Lurie: As adaptações para a cultura americana foram bem feitas e orgânicas, e isso somado ao sadismo e a brutalidade do filme original conseguem garantir uma experiência interessante, ainda que o filme seja mal dirigido, quase que incapaz de criar tensão, e não consiga desenvolver seus personagens, fazendo-os soarem aborrecidos e frágeis. Nota: 3/5

O Terceiro Tiro – Alfred Hitchcock: Ainda que não seja espetacular e esteja longe de ser um dos melhores do Hitchcock, é um filme muito divertido, com um humor negro afiadíssimo e que consegue trazer a marca do diretor mesmo que esteja trabalhando em um gênero diferente do habitual. Nota: 4/5

Contatos Imediatos de Terceiro Grau – Steven Spielberg: O comecinho do filme é interessante e sua meia hora final beira o espetacular, e com isso, por mais que sua maior parte seja arrastada e irregular, acaba valendo muito a pena. Nota: 4/5

De Volta Para o Futuro 3 – Robert Zemeckis: Fecha de maneira perfeita a trilogia, mais uma vez recheado de referências, piadas internas, e sequências de ação de tirar o fôlego. Nota: 5/5

Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 2 – Francis Lawrence: Assim como seus antecessores, é recheado de qualidades: a trama política tem muita relevância (ainda que o filme deixe quase que completamente de lado o comentário sobre a "propaganda de guerra", que fortalecia bastante a primeira parte), e a direção de Francis Lawrence dá um toquezinho documental muito bacana, criando momentos marcantes de tensão, ainda que desaponte um pouco na ação.
Mas o filme também tem seus problemas: os segundos finais são dispensáveis, o ritmo se mostra algumas vezes irregular, e a decisão de quebrar uma história em duas partes deixa os roteiros com sérios problemas estruturais.
Ainda assim, é um filme diferenciado, que acaba valendo bastante a pena, e encerra uma série muito acima da média, que conseguiu se manter com uma regularidade de qualidade invejável. Nota: 4/5
Olmo e a Gaivota – Petra Costa: Traz interessantíssimas reflexões sobre o Cinema vs Realidade, em uma narrativa muito bem conduzida e instigante. Não tem aquela sensibilidade que tanto diferenciava "Helena", mas ainda é um ótimo filme. Nota: 4/5

O Homem Errado – Alfred Hitchcock: Dentre os filmes do Hitchcock que tratam de pessoas tentando tentando provar sua improvável inocência, é aqui onde ele mais trabalha o lado dramático da situação, deixando um pouco de lado algumas de suas marcas registradas a fim de criar uma narrativa mais realista e densa, sufocando o espectador nas dores e frustrações de seu protagonista. Filmaço. Nota: 5/5

W. – Oliver Stone: Gostei muito da atuação do Josh Brolin, e as sátiras que o filme faz também são bem dosadas, mas o roteiro trata o Bush como uma verdadeira criança, sem consciência de nada do que faz, só se preocupando em agradar o pai, e mesmo que isso possa não estar muito longe da realidade, o fato é que soa unidimensional e sem criatividade. 
Com isso, o filme desagrada os fãs do presidente por mostrá-lo como um idiota, mas também desagrada seus ferrenhos críticos, ao aliviar com sua imaturidade muitos de seus maiores erros políticos (por exemplo: quando descobrimos no filme que toda a invasão do Iraque foi em vão, já que eles não fabricavam armas de destruição em massa, não sentimos o peso de todas as vidas que foram jogadas fora, só sentimos vontade de rir do presidente pela sua burrice). Nota: 3/5
Intriga Internacional – Alfred Hitchcock: Mais um filmaço do Hitchcock, daqueles que é impossível desgrudar o olho da tela por um segundo. 
Com um clima de filme de espionagem que com certeza influenciou muito a série 007, o filme consegue fazer o drama de seus personagens soar relevante, ao mesmo tempo em que traz sequências brilhantemente orquestradas, tanto pelo seu suspense quanto pela sua ação (destaque para a clássica cena do avião, e para o clímax, que talvez tenha sido a sequência mais empolgante que o Hitchcock já filmou). Nota: 5/5
O Valor de Um Homem – Stéphane Brizé: Está longe se ser ruim, e seus planos constantemente fechados com a câmera sempre na mão conseguem atingir o seu objetivo de incomodar o espectador, deixando-o inquieto e fazendo-o compartilhar o desconforto do protagonista. 
O problema é que o filme é extremamente lugar comum e esquecível, dando a impressão de que é uma história que você já viu mil vezes, além de apelar para um desfecho artificial e frustrante. Nota: 3/5
Desconstruindo Harry – Woody Allen:Sem palavras para descrever o quanto gosto deste filme. Acredito que depois de Match Point seja meu filme favorito do Woody Allen (que por sua vez talvez seja o meu diretor preferido). Mas também acho que é um filme que tem um impacto muito maior para quem já é fã do trabalho dele, pois é basicamente uma reflexão sobre toda a sua carreira, trazendo seus recorrentes questionamentos sobre fé, casamento, traições, relação entre artista e arte, tudo sempre com seu senso de humor característico, e servindo também como uma claríssima homenagem ao clássico Morangos Silvestres (Ingmar Bergman, 1957). Nota: 5/5

Lunar – Duncan Jones: Não sei porque, mas tinha certas reservas em relação a este filme, talvez pela sua premissa clichê e não muito animadora. Mas quando finalmente o assisti, acabei por adorar. 
Devo dizer que me decepcionei um pouquinho com o final (particularmente, esperava algo um pouco mais pessimista), mas é impressionante como Duncan Jones consegue manter o espectador grudado na tela mesmo quando nada de muito interessante está acontecendo, e quando o roteiro finalmente mostra suas cartas, é impossível não se admirar com tanta complexidade dentro de tanta simplicidade. 
O filme nunca parece tentar ser mais do que realmente é, e ao mesmo tempo em que incita o espectador a refletir sobre ele e compartilhar as dores de seu personagem. Nota: 4/5
Django – Sergio Corbucci: Que filmaço, um verdadeiro presente para qualquer um que aprecie um bom western. Além disso, para os fãs de Tarantino o filme ainda tem uma cena que claramente inspirou um dos momentos mais marcantes de "Cães de Aluguel". Nota: 5/5

Marnie, Confissões de Uma Ladra – Alfred Hitchcock: Achei um dos filmes mais mornos do Hitchcock. Não chega a ser ruim (longe disso), mas é bem arrastado e mais longo do que o necessário, com personagens que até têm suas camadas, mas que são bem desinteressantes. Nota: 3/5

Depois da Terra – M. Night Shyamalan: Tem um roteiro absolutamente burocrático, artificial e previsível, e Shyamalan ainda se mostra incapaz de criar uma narrativa sequer divertida, se levando a sério demais e fazendo as sequências de ação soarem cansativas, e apelando para sustos para tentar esconder sua incapacidade de criar tensão. Nota: 2/5

A Sangue Frio – Richard Brooks: Filme excelente, com um ótimo roteiro e uma deslumbrante fotografia. 
Assim como "Bonnie e Clyde" e "A Primeira Noite de um Homem" (ambos também de 1967), serve como um ótimo ponto de partida para o que viria a se tornar a Nova Hollywood a partir dali. Nota: 5/5
Amadeus – Miloš Forman: Acerta por ter como protagonista Salieri ao invés de Mozart, pois se trata de um personagem que funciona muito melhor para o cinema, sendo extremamente amargurado e conflituoso. E nisso a performance de F. Murray Abraham se mostra impecável, não só ao encarnar seu personagem em sua fase mais "jovem", como principalmente em sua fase idosa, onde ele oferece uma das melhores interpretações que eu já vi em um filme, funcionando perfeitamente como um personagem recheado de frustrações e consciente de seus erros, mas ainda atormentado por eles. Nota: 4/5

O Último Mestre do Ar – M. Night Shyamalan: É impressionante como Shyamalan depois de "Sinais" ficou incapaz de fazer um bom trabalho. Aqui ele continua no fundo do poço, com um filme que é incapaz de provocar emoção alguma, com atores mal dirigidos e sem carisma, tendo ainda um roteiro péssimo, extremamente clichê, burocrático, e expositivo (são incontáveis os diálogos que são praticamente entrevistas: um perguntando e o outro respondendo com longos monólogos risíveis). Nota: 2/5

A Visita – M. Night Shyamalan: Está longe de ser um "Sexto Sentido", e na realidade é bem mediano, mas é também um respiro na carreira do Shyamalan, que vinha de quatro desastres completos e parecia um caso perdido. Nota: 3/5

Boa Noite, Mamãe – Severin Fiala e Veronika Franz: Terror psicológico de primeiríssima qualidade. 
Lembra bastante o estilo do Michael Haneke, mas jamais soa como cópia, e por mais que seja possível desvendar a revelação desde o início (ainda que eu, particularmente, não tenha percebido), isso não importa, já que isso acaba dando uma nova visão para o filme, mais voltada para os personagens. 
É interessante também como os diretores subvertem a expectativa do espectador, manipulando seus sentimentos em relação aos personagens (mais uma vez, lembrando bastante o Michael Haneke, especialmente em Caché), e deixando as cenas mais chocantes virem como consequência, e não como uma tentativa vaga de chocar. 
Enfim, filmaço, um dos melhores do ano para mim. Nota: 4/5
O Açougueiro – Claude Chabrol: Gostei bastante. O filme desenvolve seus personagens com carinho e exige uma participação ativa do espectador para desvendar suas motivações. Nota: 4/5

A Assassina – Hou Hsiao-hsien: As cenas de luta de espadas são ótimas, e o uso de locações é impecável, criando um visual arrebatador, recheado de cores saturadas e imagens inesquecíveis. Mas o filme não é muio mais do que isso, tendo uma história fraquíssima para contar, sem foco, com personagens rasos e uma sub trama política que só desvia atenção e deixa a narrativa ainda mais confusa. Isso sem contar o ritmo extremamente lento (proposital), que devido ao fato da trama ser desinteressante, acaba transformando a experiência em um exercício de paciência, e que passa a ser agoniante em sua meia hora final. Nota: 3/5

Bob, o Jogador – Jean-Pierre Melville: Ótimo filme. Achei interessante que o Roger Ebert tenha definido este como "o primeiro título da nouvelle vague francesa", pois de fato é possível perceber aqui muitas coisas que marcariam muito as produções feitas na década seguinte, desde os personagens "imperfeitos", até a abordagem mais estilizada que lembra um pouco a pegada dos filmes noir. Nota: 4/5

Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia – Sam Peckinpah: É um filme que transborda estilo em uma narrativa única e extremamente bem conduzida. Não é tão legal quanto "Sob o Domínio do Medo" (do mesmo diretor), mas ainda assim vale bastante a pena. Nota: 4/5

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Lista: Filmes Vistos em Outubro

A lista a seguir reúne os filmes que eu vi durante o mês de Outubro, com um breve comentário sobre cada um deles, além de uma nota de 1 a 5 para cada um.

Ó Paí, Ó – Monique Gardenberg: O excesso de personagens impede um envolvimento emocional do espectador, e o filme soa sem rumo e esquecível, só se salvando do fracasso pelo bom uso da música. Nota: 2/5

Monstros – Gareth Edwards: Gostei bastante, consegue ser bem intimista e trabalhar muito bem dentro das possibilidade sobre o que realmente aconteceria na Terra após uma invasão alienígena. Nota: 4/5

Busca Implacável – Pierre Morel: Tem vários problemas, como a ausência quase que completa de sangue nas sequências de ação, o que de certa forma banaliza a violência, mas ainda assim diverte bastante, trazendo uma direção segura e um roteiro que funciona mesmo não sendo particularmente inovador. 
Uma ótima escolha para quem está a fim de ver um filme de ação. Nota: 3/5

Quebrando o Tabu – Fernando Grostein Andrade: Os entrevistados trazem algumas ideias interessantes e os dados são indiscutivelmente reveladores, mas o filme em si não é particularmente inovador, adotando uma estrutura bem formulaica e repetitiva. Nota: 3/5

Perdido em Marte – Ridley Scott: Curti bastante. Uma ficção científica de alta qualidade. É particularmente interessante como o filme consegue trazer várias explicações científicas sem soar complicado demais, ainda que eu ache que a duração pudesse ter sido um pouco menor.
Em relação ao 3D, ele enfrenta um sério problema: o fato do filme se passar muito no escuro, e de fato essas cenas ficam bem difíceis de se ver, mas pelo menos nos planos mais abertos e, principalmente, nos momentos passados em gravidade zero, a tecnologia é utilizada de maneira consciente, gerando uma experiência interessante para o espectador. Nota: 4/5

Inferno Nº 17 – Billy Wilder: Billy Wilder nunca decepciona, mais um filme seu recheado de personagens complexos e uma narrativa única, que mantém o espectador vidrado até o último segundo. Nota: 5/5

Os Infratores – John Hillcoat: Tem boas ideias e uma reconstrução de época excelente, mas o roteiro deixa bastante a desejar: o personagem do Guy Pearce, por exemplo, é uma caricatura pura, e as tentativas do filme de ser um drama familiar, meio que ao estilo do Poderoso Chefão, são falhas e indecisas, dando à narrativa um tom bem incerto. Nota: 3/5

Doméstica – Gabriel Mascaro: O filme tem um ponto de vista que é muito importante de ser mostrado, mas não se preocupa em criar uma narrativa interessante, e não consegue fazer o espectador se importar com os indivíduos que ele mostra. Nota: 3/5

O Expresso Polar – Robert Zemeckis: Se tem uma coisa que o Robert Zemeckis faz como ninguém, é mergulhar o espectador em suas narrativas, e aqui não é diferente, o filme tem pelos menos três sequências eletrizantes e inesquecíveis. O roteiro também é muito bom, fazendo uma interessante conversa com alguns dos outros filmes do diretor (especialmente as questões de fé abordadas em "Contato"). Só lamento que não vi no cinema, pois com certeza teria sido uma experiência única. Nota: 4/5

O Homem Mosca – Fred C. Newmeyer e Sam Taylor: É uma pena que este filme quase nunca seja citado em listas de clássicos essenciais, pois se trata de um dos mais engraçados que eu já vi. Inclusive, acho também que nem deixa muito a desejar aos clássicos do Chaplin. Nota: 5/5

A Última Ceia – Marc Forster: Depois de ver "Em Busca da Terra do Nunca" jamais diria que o Marc Foster fosse capaz de fazer um drama tão eficiente como este. 
Tudo bem que o principal mérito fica para o roteiro e as atuações, mas sua direção também não deixa nada a desejar, criando uma atmosfera incômoda e opressora, que jamais soa artificial ou melodramática. Nota: 4/5

Fargo – Joel Coen: Sou muito fã dos irmãos Coen e adoro este filme, aliás cada vez que revejo gosto mais, e essa já foi a terceira. Mas, devo confessar que não acho essa obra-prima toda que muito comentam, acho que os próprios irmão Coen têm pelo menos 5 filmes muito melhores. 
Mas de qualquer maneira é uma obra única, que equilibra muito bem o humor e a violência, e traz inúmeras sequências marcantes (destaque para os assassinatos na estrada e a já icônica cena envolvendo uma máquina trituradora). Nota: 4/5

Digam o Que Quiserem – Cameron Crowe: O filme é adorável. Mesmo seu ritmo sendo um pouco mais lento do que eu acredito que seria o ideal, o roteiro constrói personagens marcantes e carismáticos, e se desenvolve de maneira sensível, levando o espectador a se envolver e se emocionar. Nota: 4/5

A Travessia – Robert Zemeckis: Crítica completa aqui.

Frost/Nixon – Ron Howard: Curti muito, acho que entra facilmente entre os melhores do Ron Howard. O filme é ágil, os diálogos são de uma precisão admirável, e a narrativa é envolvente e mantém o espectador grudado na tela até o fim, mesmo já sabendo sobre a história real.
E por mais que o roteiro ainda tem alguns probleminhas (a negligência no desenvolvimento da personagem da Rebecca Hall é particularmente decepcionante), não é nada que atrapalhe muito o resultado final, que é ótimo. Nota: 4/5

Batalha Real – Kinji Fukasaku: Filmaço. Talvez a melhor palavra para defini-lo seja: brutal. Sem se preocupar em utilizar a violência apenas para chocar o público, o filme funciona também como uma forte crítica à maneira que o governo trata os jovens e à banalização da violência. Nota: 5/5

Vidas em Jogo – David Fincher: Sou muito fã do David Fincher, mas acho que depois de Alien 3 este seja seu filme mais fraco. Na verdade é muito bem dirigido, com um constante clima de tensão e conspiração, mas o roteiro deixa a desejar, principalmente em seu terrível desfecho, e isso atrapalha bastante o resultado final. Nota: 3/5

Dália Negra – Brian de Palma: A estética é bacana, ainda que um pouco monótona, mas o roteiro soa muito como um enorme desperdício de potencial, sem conseguir estabelecer personagens complexos e muito menos uma trama interessante. Nota: 3/5

A Espinha do Diabo – Guillermo del Toro: Mais um ótimo filme do Guilhermo del Toro. Daria uma excelente sessão dupla com o "Labirinto do Fauno" que ele fez alguns anos depois. 
O clima de terror é extremamente bem construído, mas o que é mais ainda aterrorizante no filme é sua dura e pessimista realidade. Nota: 4/5

Náufrago – Robert Zemeckis:Tenho que confessar que na primeira vez em que eu vi este filme não gostei nem um pouco. Não me lembro exatamente o porquê, mas lembro que sempre ficava indignado quando alguém o citava como um de de seus favoritos.
Mas o revendo agora depois de um tempo, eu o adorei. Sem dúvidas já é um jovem clássico. 
O estudo de personagem que o roteiro faz é fascinante, e a direção sempre competente do Robert Zemeckis dá ao filme o gás a mais que ele necessita. 
A atuação do Tom Hanks também é sensacional (uma das melhores de sua carreira), e o filme ainda é recheado de momentos marcantes (destaque para as cenas envolvendo a bola Wilson) e metáforas que, mesmo "mastigadas", emocionam. Nota: 5/5

A. I. Inteligência Artificial – Steven Spielberg: Não gostei deste filme na primeira vez que o vi, mas vendo de novo, ele subiu bastante no meu conceito. Ainda não acho que seja uma obra-prima, e se Kubrick o tivesse dirigido o resultado muito provavelmente teria sido melhor, mas acho também que o Spielberg passou longe do fracasso. 
As ideias do roteiro são fascinante (o que define um ser humano? qual origem do amor?) e toda aquela primeira parte, terminando com o garoto abandonado na floresta, é irretocável.
A partir dali o filme enfrenta alguns problemas. Particularmente, acho que uma abordagem mais pessimista cairia melhor à narrativa, principalmente na cena do mercado de peles, onde os alívios cômicos soam esquisitos e desajustados. Mas ainda assim, a trama é muito forte, e é impossível não parar pra pensar que se robôs inteligentes realmente existissem, com certeza enfrentariam o ódio de uma parte da população.
Mas ainda assim, acho que o principal problema da obra está em seu final.
(SPOILERS) O filme seria excelente (ainda que não irretocável) se tivesse terminado com o menino preso em frente à fada pelo resto da eternidade, e a opção de incluir um prólogo para terminar em um final feliz soa muito forçada e desnecessária. (SPOLIERS)

Tudo bem, se eu dissesse que não me emocionei estaria mentindo, mas ainda assim, não posso deixar de dizer que o resultado teria sido muito mais impactante e coerente se terminasse mais cedo.
Resumindo, me surpreendi bastante assistindo esse filme pela segunda vez. Ele não é perfeito, mas suas qualidades me falaram bem mais alto que seus defeitos.

Terapia de Risco – Steven Soderbergh: A primeira hora deste filme é incrível, mantendo um impressionante clima de desconforto e tensão. Já em relação aos seus 40 minutos finais, não posso deixar de dizer que me decepcionei um pouco, pois muitos dos elementos mais interessantes da trama são descartados. Mas ainda assim, é necessário admirar a coragem do filme de se reinventar e subverter as expectativas do espectador, mesmo que acabe o frustrando levemente no caminho. Nota: 4/5

Contato – Robert Zemeckis: Mais um filme admirável do Robert Zemeckis, de quem eu sou cada vez mais fã. Sua capacidade de criar momentos marcantes é invejável e aqui ele tem em mãos uma história extremamente rica, recheada de conflitos entre religião e ciência. 
Eu, particularmente, acho que o filme deveria ter acabado alguns minutinhos mais cedo, pois bem em sua penúltima cena ele acaba se inclinando mais para um lado do que para o outro, desperdiçando uma de suas melhores qualidades que era a dúvida e a necessidade do espectador de tomar posição. Não é nada que atrapalhe muito o resultado final, mas tenho que confessar que me decepcionei um pouquinho. Nota: 4/5

Beijos e Tiros – Shane Black: Trata-se de um filme original, recheado de brincadeiras metalinguísticas interessantes e muito divertido. Lembra bastante o estilo dos primeiros trabalhos do Guy Ritchie, ainda que a trama seja um pouco complexa demais e deixe o espectador um pouco perdido em alguns momentos.
P.S: a cena da "roleta russa" é impagável e foi uma das coisas mais engraçadas que eu já vi em um filme. Nota: 4/5

O Massacre da Serra Elétrica – Tobe Hooper: Uma experiência única e intensa. Recheado de momentos marcantes e uma excelente direção. Merecidamente, um clássico. Nota: 5/5

Terra Prometida – Gus Van Sant: Achei bem mediano. Tem um ritmo agradável, as atuações são boas e o roteiro convence enquanto pode. Mas a história que ele tem para contar é frágil e a direção do Gus Van Sant é bem lugar comum, e quando isso fica impossível de disfarçar, o filme fica a beira da ruína. Nota: 3/5

Matrix – Andy e Lana Wachowski: Ver este filme é sempre uma experiência única, no cinema então, é algo de outro mundo. Está sem dúvidas entre os meus favoritos dos favoritos. 
Sempre me impressiono com sua segurança e seu impacto, além de sua capacidade de equilibrar uma trama com inspirações claramente filosóficas (o Mito da Caverna, de Platão, vem a mente várias vezes) e sequências de ação inovadoras de tirar o fôlego. 
Se tivesse sido lançado hoje, eu não hesitaria em dizer que os irmãos Wachowski teriam tudo para serem os principais nomes da ação no Cinema. Nota: 5/5

Educação – Lone Scherfig: Realmente não estava esperando gostar tanto deste filme, me surpreendi muito. 
Mesmo começando com alguns clichês indie (desde os personagens que soam caricaturais até os diálogos que jamais poderiam acontecer entre pessoas de verdade), o roteiro dá a volta por cima, criando uma narrativa extremamente sensível e cativante, que mesmo não sendo particularmente original ou inovadora, funciona surpreendentemente bem.
A reconstrução de época também é linda e acerta por ser discreta, deixando o filme com um visual interessante que contribui para o sucesso dramático do roteiro. Nota: 4/5

A Concepção – José Eduardo Belmonte: Curti. O roteiro não é excepcional, mas o filme traz uma ótima direção, que causa um forte impacto e cria um ritmo alucinante. Nota: 3/5

Amor Sem Escalas – Jason Reitman: Legalzinho... um típico filme do Jason Reitman. O ritmo é ágil, as atuações são ótimas, o senso de humor funciona, e mesmo que o roteiro tenha seus problemas, pelo menos consegue brincar com as expectativas do espectador e criar um final que mesmo não sendo surpreendente, tampouco é muito previsível, e funciona muito bem. Nota: 3/5

12 Horas – Heitor Dhalia: Cheio de qualidades e defeito, mas de modo geral achei bem mediano. 
A direção do Heitor Dhalia (diretor que eu admiro muito) consegue manter um clima de suspense, mas sem nunca se arriscar em uma narrativa fora do comum. 
Já o roteiro trabalha muito bem a questão da dúvida (durante boa parte do filme não sabemos o que é verdade e o que é alucinação), mas peca ao insistir em encerrar vários de seus diálogos com frases de efeito, e apostar em coincidências que fazem as pistas soarem fáceis demais. Nota: 3/5

Guerra Mundial Z – Marc Forster: Realmente muito fraco, beira o desastre. 
A cena no avião é boa, ainda que pudesse ter sido melhor explorada, e um ou outro momento de ação funciona, mas só.
Marc Forster se mostra incapaz de criar tensão e a ação em sua maioria soa repetitiva e aborrecida.
O roteiro também não ajuda e não apenas é mal estruturado como não consegue estabelecer ao menos um personagem interessante, fazendo até mesmo seu protagonista ser genérico. Nota: 2/5

Eu, Você e a Garota Que Vai Morrer – Alfonso Gomez-Rejon: Tem lá suas qualidades (destaque para a segurança com que o filme transita entre o humor mais leve e um drama bem pesado, e, é claro, suas diversas referências à clássicos), mas o ritmo é extremamente irregular, e os personagens secundário são completamente sem carisma. Com isso, a narrativa acaba sendo episódica e desinteressante, o que compromete bastante o resultado final, tendo em vista que um dos maiores fortes dos filmes indies costuma ser justamente a narrativa gostosa de se acompanhar. Nota: 3/5

Star Trek – J. J. Abrams: Há algum tempo atrás assisti aos dois primeiros filmes da saga Star Trek e não gostei de nenhum deles. Sendo assim, me surpreendi imensamente ao me divertir e gostar muito desde reboot.
O roteiro consegue funcionar muito bem para quem não está familiarizado com o universo e os personagens, mas ao mesmo tempo as apresentações não ocupam tanto tempo, o que não deixa arrastado para quem já é fã.
A direção do J. J. Abrams também é ótima, utilizando muito bem a trilha sonora e criando empolgantes cenas de ação.
É claro que aqui e ali o filme tem alguns probleminhas: uma coincidência um pouco absurda, um alívio cômico que não funciona... mas nada que atrapalhe muito o resultado final. Nota: 4/5

O Exército das Sombras – Jean-Pierre Melville: Filme muito muito bom. A paleta de cores frias e dessaturadas mantém um clima de melancolia desde o início, e a direção do Jean-Pierre Melville conduz a narrativa sem pressa, mas em nenhum momento deixando-a arrastada, acertando ainda por acabar em uma nota pessimista e desesperançosa, mas que é extremamente coerente com tudo que havia ocorrido até então. Nota: 4/5

Star Wars: A Vingança dos Sith – George Lucas: Não é um grande filme, mas é sem dúvidas o melhor da trilogia nova. 
Cumpre muito bem o seu papel, que é de construir a complexidade dramática do Darth Vader, conseguindo ainda trazer uma interessante trama política.
Aliás, a cena que envolve Anakin e Obi-Wan na beira de um mar de lavas foi, para mim, o melhor momento da série depois do clássico "I'm your father". Nota: 4/5

Ponte dos Espiões – Steven Spielberg: Crítica completa aqui.

O Silêncio – Baran Bo Odar: É um bom filme, embora um pouco perdido. 
Durante boa parte da projeção o filme se mostra meio indeciso quanto ao tom da narrativa e a abordagem dada aos personagens, mas ainda consegue criar momentos marcantes de tensão até se redimir quase que completamente de seus erros em seus 15 minutos finais, ao finalmente revelar suas cartas e fazer o espectador ir para os créditos finais com uma sensação de satisfação.
É verdade que um final ruim amarga um filme todo bom, mas é também verdade que um final ótimo dá um grande redimida em um filme mediano. Nota: 4/5

Mais Estranho Que a Ficção – Marc Forster: Filme muito interessante e competente. Traz várias divertidas reflexões metalinguísticas em um roteiro original e bem estruturado. O final deixa um pouco a desejar, mas não deixa de ser coerente (reparem nas dicas que apontam para a importância do relógio do protagonista). Nota: 4/5

Mary e Max: Uma Amizade Diferente – Adam Elliot: A meia hora inicial é impecável, com um senso de humor único e uma sensibilidade tocante. A partir daí o filme encontra alguns probleminhas, como o ritmo levemente irregular, mas o final acaba compensando. De modo geral, é um filme muito bom, único e melancólico da doce certa. Nota: 4/5

De Volta no Tempo – Jason Aron: Quando o foco está no De Volta Para o Futuro em si, o filme é muito bom, e essencial para os admiradores desse clássico. Já quando o foco vai para a sua influência e seus fãs (o que ocupa a maior parte da projeção), o impacto é bem menor e o ritmo é bem irregular. Nota: 3/5

A Sombra de Uma Dúvida – Alfred Hitchcock: Filmaço! Acredito que seja um dos que melhor defina o Hitchcock, além de trazer muitos dos que podem ser considerados seus momentos mais inspirados. Mais uma vez, as principais virtudes do filme não estão apenas no que você vê, mas também no que você imagina. Nota: 5/5

Alphaville – Jean-Luc Godard: Estaria mentindo se dissesse que achei ruim, mas estaria mentindo mais ainda se dissesse que gostei. 
Muitas coisas incomodaram no filme, dentre elas a trilha sonora, que por mais que tenha sido feita para causar desconforto, acaba soando muito mais como falta de criatividade do que qualquer outra coisa. 
Mas o filme também tem suas qualidades: o plano sequencia no elevador é sensacional (inclusive me lembrou um plano parecido visto em um apartamento em "O Demônio das Onze Horas"), e traz monólogos lindos e poéticos. Além disso, dizem que todo bom filme é também um documentário sobre sua época, e nesse quesito, "Alphaville" serve perfeitamente como um retrato da tensão e do medo nuclear experimentados na guerra fria. Nota: 3/5

Guerra dos Mundos – Steven Spielberg: Acabou sendo para mim, como o primeiro "Transformers" e as continuações de "Se Bebr Não Case", um "guilty pleasure": não achei bom, mas me diverti bastante.
Não posso dizer que o filme não tenha suas qualidades. Spielberg é um diretor extremamente talentoso, e consegue, com a ajudas dos ótimos efeitos especiais, criar um belo espetáculo visual, além de interessantes momentos de tensão. 
O roteiro também acha espaços para pequenas alfinetadas políticas, como quando vemos a filha do protagonista desesperada pelo caos e imediatamente pergunta: "são os terroristas?", numa crítica clara, mas sutil, à política de medo imposta por Bush.
Mas os defeitos também são muitos e impossíveis de se ignorar: a necessidade de manter a censura baixa impede que muitos momentos mais violentos tenham o impacto necessário, e o arco dramático do roteiro também é frágil.  Nota: 3/5


A Noite dos Mortos-Vivos – George A. Romero: É um filme muito bom e, mais ainda, extremamente importante e influente, mas não posso deixar de dizer que me decepcionei um pouco. Não achei os personagens muito carismáticos e por mais que a tensão seja bem construída, em nenhum momento envolve o espectador como outros clássicos do terror como "O Massacre da Serra Elétrica" e "Halloween". Nota: 4/5

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Lista: Filmes Vistos em Setembro

A lista a seguir reúne os filmes que eu vi durante o mês de Setembro, com um breve comentário sobre cada um deles, além de uma nota de 1 a 5 para cada um.

O Senhor dos Ladrões – Richard Claus: Bem fraquinho. Fiquei com a impressão de que o livro talvez possa ser interessante, pois aqui e ali tem uma ideia bacaninha, mas os personagens não funcionam, e a tentativa de criar uma atmosfera de conto de fada resulta em completo fracasso. Nota: 2/5

O Ilusionista – Neil Burger: Bem lugar comum e esquecível, ainda que algumas boas ideias o salvem do fracasso. Nota: 3/5

Metrópolis – Fritz Lang: Que filme! Não é a toa é um clássico. Traz uma crítica social que se mantém atual até hoje e um cuidado estético invejável (mesmo hoje, com os efeitos visuais, seria difícil criar um designe tão inventivo e competente). Nota: 5/5

O Mensageiro do Diabo – Charles Laughton: Filme excelente! Poucas vezes vi um filme com tantos quadros dignos de se pendurar na parede. A única coisa que pesa um pouco contra é o final, que mesmo não sendo ruim, soa meio brusco e um pouco decepcionante. Nota: 5/5

Marley e Eu – David Frankel: Só eu que acho que as pessoas tendem a subestimar este filme? Sempre vejo todos comentando sobre como o Marley é engraçado e como choraram no final, mas acho que poucos percebem o cuidadoso estudo de personagem que tem ali. 
O filme é sobre o período da vida do John que ele passou com o Marley, mas o foco do roteiro está completamente no homem, não no cão. A história é sobre o medo da maturidade, da necessidade de ter uma família, da dor ao perceber a vida passando sem você realizar seus sonhos, sobre a mediocridade, e, é claro, sobre como um cachorro marca a vida de alguém.
E, obviamente, o final é de se soluçar, mas o que vinha até ali não deve ser esquecido, pois não deixa nada a desejar. Nota: 4/5

Trovão Tropical – Ben Stiller: Particularmente, não sou muito fã do Ben Stiller como diretor. O Pentelho e Zoolander são filmes que considero extremamente sem graça e tolos. Sendo assim, me surpreendi muito ao me divertir horrores com este "Trovão Tropical". 
Não é um grande filme, mas consegue não se levar a sério, fazendo diversas piadas com hollywood e consigo mesmo, além de várias referências à clássicos filmes de guerra. 
Acho que, como um todo, Trovão Tropical é o que Zoolander tentou, mas não conseguiu ser: uma sátira engraçada, e só. Nota: 3/5

Alien 3 – David Fincher: Não acho que chegue a ser ruim, mas é indiscutivelmente inferior ao dois primeiros. Se eu tivesse assistido ao filme na época de seu lançamento, jamais diria que o David Fincher viria a dirigir pelo menos umas 4 obras-primas, mas tampouco o classificaria com um diretor sem futuro, pois aqui e ali ele demonstra um talento admirável para criar tensão, ainda que seja constantemente atrapalhado pelo roteiro e pelas óbvias interferências da produção (principalmente no que diz respeito ao Alien em si). Nota: 3/5

Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1 – David Yates: Acredito que este seja, junto com o terceiro e o sexto volume, o filme mais interessante e rico da série Harry Potter. 
É particularmente interessante o clima de melancolia e tristeza que permeiam toda a projeção, e criam um interessante contraste com o clima de magia e deslumbramento que marcavam as primeiras histórias.
A fotografia toda dessaturada também é sensacional, aliás, esteticamente este é disparado o melhor filme da saga, e o roteiro acerta por encerrar de maneira coerente com o restante da narrativa: em uma nota melancólica e triste, que leva o espectador aos créditos com lágrimas nos olhos. Nota: 5/5

Melancolia – Lars Von Trier: Assim como em Anticristo, Lars von Trier demonstra mias uma vez que seu senso estético como diretor nunca esteve melhor, mas ao contrário do que acontecia em seu filme anterior, aqui ele parece não ter uma história tão interessante assim para contar, e ainda que o filme tenha uma estética de tirar o fôlego, a narrativa me soou vazia e desinteressante. Nota: 3/5

Uma História Real – David Lynch: Que filme lindo! Honesto e emocionante até seus segundos finais. Nota: 5/5

Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 – David Yates: Mais um filme muito bom da série Harry Potter, mas é impossível não se frustar tendo em vista que os dois volumes anteriores tinham alcançado um nível de qualidade tão alto. 
A decisão de dividir o último livro em dois não parecia atrapalhar a parte 1, mas definitivamente atrapalhou esta parte 2.
Alguns detalhes da trama ficam meio vagos para aqueles que não leram os livros (é particularmente decepcionante a decisão de não incluir o flashback sobre a história do Dumbledore, tendo em vista que assim a aparição de seu irmão é completamente em vão), e o roteiro enfrenta um claro problema de estrutura: basicamente, o filme todo é um clímax, o que acaba tirando o impacto das partes que deveriam ser as mais marcantes de toda a série, fazendo-as soarem apenas O.K.
Enfim, como um todo, o filme vale muito a pena, e o David Yates demonstra saber o que está fazendo desde o início, mas ainda assim não tem como dar uma lamentada, pois a série poderia ter terminado de uma maneira um pouquinho mais satisfatória. Nota: 4/5

Sede de Sangue – Chan-wook Park: Acho que dentre os que eu vi, este seja o filme mais fraco do Park Chan-wook. 
Está longe de ser ruim, muito pelo contrário, traz momentos marcantes (destaque para o final) e composições de quadros que são de tirar o fôlego. Mas também acho que, esteticamente, o filme se prejudica por se passar quase todo a noite, e sua duração também é um pouco maior do que o necessário. 
Enfim, ainda assim é um filme diferente que merece ser visto. Nota: 4/5

Encontros e Desencontros – Sofia Coppola: Lembro de ter visto esse filme há algum tempo atrás e não ter achado grande coisa. 
Mas revendo agora, foi impossível não favoritar. Virou um daqueles que vai melhorando a cada vez que eu penso sobre ele.
Bill Murray e Scarlett Johansson oferecem as que são, muito provavelmente, as melhores performances de suas carreiras. Enquanto ele surge como um homem amargurado que prefere não incomodar os outros com seus próprios problemas, ela está apaixonante, frágil, perdida.
Enfim, é difícil falar sobre "Encontro e Desencontros" em palavras. Acredito que seja um filme sobre a definição de sentimentos que não dá para definir.
Ah, sim, e o final é um espetáculo à parte. Nota: 5/5

Obrigado Por Fumar – Jason Reitman: Os diálogos são ágeis e o filme sempre demonstra saber o que quer, mas não deixa de ser um pouco vazio e falhar em suas tentativas de sátira. Nota: 3/5

Scarface, a Vergonha de uma Nação – Howard Hawks e Richard Rosson: Merecidamente, um clássico! Assim como a refilmagem do Brian De Palma, um filme irretocável, ambos funcionam como um excelente estudo de personagem ao mesmo tempo em que trazem um interessante comentário sobre suas respectivas épocas. Nota: 5/5

Monty Python em Busca do Cálice Sagrado – Terry Gilliam e Terry Jones: Não achei uma obra prima, mas é extremamente original, com um senso de humor muito bem afinado e recheados de momentos hilários. Nota: 4/5

General – Buster Keaton e Clyde Bruckman: Filme excelente! Apesar de alguns probleminha de ritmo, a narrativa flui com um ótimo senso de humor e inúmeras situações inusitadas. Nota: 5/5

O Riso dos Outros – Pedro Arantes: Tem alguns interessantes pontos de vista, mas todos seus créditos se devem a seus entrevistados, já que sua estrutura não faz sentido algum. Nota: 3/5

O Lobisomem – Joe Johnston: Funciona relativamente bem como um filme de terror, mas o roteiro é extremamente fraco, com diálogos vergonhosos e personagens mal aproveitados. Nota: 3/5

Vermelho Como o Céu – Cristiano Bortone: A história que o filme tem para contar é bacana, mas ele não se preocupa em contá-la de uma maneira sequer interessante. Nota: 3/5

Half Nelson: Encurralados – Ryan Fleck: A direção é interessante e as atuações também, mas achei que o roteiro deixa bastante a desejar no desenvolvimento dos personagens, que poderiam ter sido melhor aproveitados. Nota: 3/5

As Virgens Suicidas – Sofia Coppola: Gostei bastante. É admirável como a Sofia Coppola desde o início da carreira demonstrou ter total noção do que queria, e é justamente essa forte personalidade que é a principal força do filme: a trilha sonora, a estrutura narrativa que lembra um pouco uma música, tudo contribui para gerar uma narrativa única e muito interessante. Nota: 4/5

Mississipi em Chamas – Alan Parker: Em alguns momento a estética lembra um pouco a de "Coração Satânico", o que enriquece bastante a experiência, mas a trama em si é bem sem graça, e ainda que bem conduzida, não se justifica. Nota: 3/5

Minha Mãe – Nanni Moretti: Gostei bastante. Achei bem delicado e recheado de discussões metalinguísticas. 
Sem contar que os segundos finais estão entre os mais bonitos que eu já vi. Nota: 4/5

Que Horas Ela Volta – Anna Muylaert: 

Z for Zachariah – Craig Zobel: O filme tem potencial, mas não vai a lugar algum. O drama dos personagens é frágil e a trama, ainda que se encerre de maneira interessante, não traz nada de novo a um universo apocalíptico que já foi explorado por milhões de outras obras. Nota: 3/5

XXY – Lucía Puenzo: Apesar de algumas falhas, como a imprecisão da abordagem do roteiro, curti bastante o filme, que tem um drama sensível e se beneficia muito de suas linda locações e o talento de seus atores. Nota: 3/5

As Horas – Stephen Daldry: Já é a segunda vez que eu vejo esse filme, e mais uma vez não o achei grande coisa, como muito dizem. As rimas visuais criadas entres os três tempos da trama são muito interessantes, as atuações são impecáveis e o final reserva uma grata surpresa, mas o drama deixa um pouco a desejar, soando um pouco monótono. Nota? 3/5

Primer – Shane Carruth: Quando terminei de assistir, só conseguia pensar: "meu deus, que filme complicado". Mas isso não é necessariamente uma coisa ruim tendo em vista a proposta do roteiro, mas com certeza pode frustrar algumas pessoas. 
É admirável também que esse filme tenha sido feito com um orçamento tão baixo, provando mais uma vez que tudo o que é necessário para se fazer um bom trabalho é ter uma boa história para contar e saber como contá-la, e nisso Shane Carruth não decepciona. Nota: 4/5

Corrente do Mal – David Robert Mitchell: Adorei o filme. O diretor demonstra ter o total controle da narrativa, com uma enorme facilidade para criar tensão e momentos aterrorizantes, além disso, a premissa curiosa é explorada ao máximo, com vários momentos de um senso de humor muito eficiente e discreto. 
Em relação ao final, confesso que a minha primeira reação foi de leve frustração, mas se for parar pra pensar, ele é coerente e não consigo imaginar uma maneira melhor de encerrar a história.
Não acho que seja um filme para todo mundo mundo. Se você não estiver disposto a aceitar a proposta do filme e mergulhar nela, talvez ele te pareça raso, mas não foi o que aconteceu comigo. Nota: 4/5

Ginger e Rosa – Sally Potter: Achei o filme insuportável. Ainda que de certa forma se encaixe bem no período histórico em que se passa, os personagens me pareceram desinteressantes e a narrativa extremamente cansativa, apesar da curta duração. Nota: 2/5

O Terceiro Homem – Carol Reed: Filmaço! Além de trazer inúmeras imagens inesquecíveis, a trama ainda é envolvente e fascinante, envolvendo o espectador do primeiro até o último segundo. E por falar nisso, que plano final espetacular! Nota: 5/5

Durval Discos – Anna Muylaert: Vendo esses primeiros filmes da Anna Muylaert fica difícil de acreditar que ela viria a fazer um trabalho tão completo quanto "Que Horas Ela Volta?". 
"Durval Discos" está longe de ser um desastre, conseguindo até fazer uma brincadeira de gênero interessante, mas o roteiro é cheio de erros: os diálogos são forçados (a cena dos ratos é vergonhosa) e a unidimensionalidade da mãe do Durval é absurda e compromete completamente o terceiro ato. Nota: 3/5

Notícias de Uma Guerra Particular – João Moreira Salles: É impossível não se sentir frustrado e impotente diante de uma realidade tão corrompida e que já caminhou tanto para o lado errado que não pode mais achar o caminho certo. Nota: 4/5

Não Estou Lá – Todd Haynes: Já não havia curtido muito este filme da primeira vez que o havia visto, e vendo de novo, gostei menos ainda. 
Não deixa de ser curiosa a opção de incluir atores diferentes interpretando as diversas fases da vida do Bob Dylan, mas a narrativa é extremamente fria, sendo possível apenas admirá-la tecnicamente, mas nunca senti-la. Nota: 3/5

O Samurai – Jean-Pierre Melville: Adorei. Acho que é um daqueles que vão melhorando ainda mais depois que terminam e você pára pra pensar sobre. A narrativa não só é muito precisa, como o arco dramático do protagonista é perfeito, e se encerra da melhor maneira possível. Nota: 4/5

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho – Daniel Ribeiro: Cada vez que revejo gosto ainda mais deste filme. Conquista completamente pela sua simplicidade e sua capacidade de fazer o espectador de envolver com seus personagens. Nota: 5/5

Sob o Domínio do Mal – Jonathan Demme: Ótimo filme, com uma espetacular direção do Jonathan Demme, que mantém um constante clima de tensão e um tom de conspiração na narrativa. Nota: 4/5

A Viatura – Jon Watts: É filme simples, mas que funciona. Os personagens não são particularmente marcantes e a trama é bem lugar comum, mas a história é bem contada e acerta por ser curta e ir direto ao ponto. Nota: 3/5

Farrapo Humano – Billy Wilder: É possivelmente o filme mais sofrido do Billy Wilder, e isso só comprova sua versabilidade. Ele consegue fazer com a mesma facilidade um filme super adorável e engraçado como "Quanto Mais Quente Melhor" e um filme extremamente doído e pesado quanto este excelente "Farrapo Humano". Nota: 5/5

Entre Segredos e Mentiras – Andrew Jarecki: Gostei bastante. O roteiro até tem seus problemas de estrutura, mas a trama é muito interessante, e a direção consegue manter um constante clima de suspense. Nota: 4/5

A Dama na Água – M. Night Shyamalan: É assustador e lamentável como os filmes do M. Night Shyamalan foram caindo de qualidade com o tempo. "O Sexto Sentido" é irretocável, "Corpo Fechado" é excelente, "Sinais" vale a pena apesar da falhas, e "A Vila" se equilibra em um fina linha entre o interessante e o desastre. Já este "A Dama na Água" é quase um fracasso total, com um roteiro recheado de falhas e uma direção perdida, que não faz ideia de que tipo de história contar, apelando para sustos fáceis para tentar se validar como "terror", ao mesmo tempo em que fracassa também em suas tentativas de criar um clima de conto de fadas. Nota: 2/5

Branca de Neve e os Sete Anões – David Hand, Larry Morey e Perce Pearce: Assistia esse filme milhares de vezes quando eu era criança, e sem dúvidas se trata de um clássico, mas o revendo agora ele me pareceu um pouco lugar-comum e desinteressante. Nota: 4/5

Sombras da Noite – Tim Burton: Confesso que gostei do filme apesar de suas falhas. O visual é ótimo e o senso de humor é bem afinado, e acabam valendo a pena apesar do roteiro deixar muito a desejar: a personagem Victoria, por exemplo, começa e termina como uma das mais importantes, mas durante o filme quase não aparece, e o desenvolvimento da sub-trama envolvendo os negócios da família também não fazem sentido algum. O terceiro ato é um desastre quase que completo, mas o final até que vale a pena, inclusive de certa maneira conversa com o final do Sweeney Todd. Nota: 3/5

Marcados Para Morrer – David Ayer: Não é um filme particularmente marcante, mas traz um interessante ponto de vista sobre a a polícia, e a opção de contar a história através de filmagens feitas pelos próprios personagens dá um toque original e bem vindo à narrativa. Nota: 3/5

O Novo Mundo – Terrence Malick: Ótimo filme, o estilo de filmagem do Terrence Malick caiu como uma luva para contar esta história, por mais que o resultado final pudesse ter sido melhor se fosse um pouco mais curto. Nota: 4/5

Poder Sem Limites – Josh Trank: Achei bem interessante, pois em sua maior parte tenta retratar o que que realmente poderia acontecer se super poderes existissem. 
A sua estrutura em "found footage" funciona, mas em alguns momentos parece um pouco forçada, tendo em vista que diante de algumas situações os personagens jamais se preocupariam em se filmar. 
Mas talvez o principal defeito do filme esteja em seu terceiro ato, que contradiz tudo o que o roteiro havia construído até então, se preocupando mais em criar um espetáculo visual do que contar uma boa história. 
Ainda assim, diria que vale bastante a pena, pois se trata de uma abordagem diferente para um tema já tão explorado nos últimos anos. Nota: 4/5

Os Suspeitos – Denis Villeneuve: Uau, não lembrava como esse filme era pesado. Lembrava das atuações, dos personagens complexos, da trama, mas realmente não lembrava como sua abordagem era crua. Filme excelente, um dos melhores dentro do que é possivelmente meu gênero favorito. Inesquecível. nota: 5/5

O Casamento de Rachel – Jonathan Demme: A história me pareceu um pouco sem graça, mas a abordagem dada pelo Jonathan Demme é incrível, construindo uma atmosfera opressora e incômoda.
E que atuação espetacular da Anne Hathaway! Nota: 4/5

Tomorrowland – Um Lugar Onde Nada é Impossível – Brad Bird: Gosto bastante da estética dos filme em live-action do Brad Bird, tendo em vista que ele é um diretor que veio da animação. Sua câmera é sempre virtuosa e o designe de produção é impecável (destaque para as "piscinas flutuantes"). 
Ainda que o roteiro deixe um pouco a desejar, soando um pouco indeciso quanto ao tom da narrativa em alguns momentos, trata-se de um filme acima da média e que traz ainda interessantes rimas temáticas com dois (excelentes) trabalhos anteriores do diretor: "Os Incríveis" e "Ratatouille". Nota: 4/5

Em Busca da Terra do Nunca – Marc Forster: Não gostei, não. Mesmo que não chegue a ser de todo ruim, é de um melodrama tão grande que foi demais pra minha paciência. Nota: 3/5

Que Horas Ela Volta – Anna Muylaert: Que filme adorável. Pelos trabalhos anteriores da Anna Muylaert eu jamais diria que ela seria capaz de fazer um grande filme, mas é exatamente o que ela faz aqui. 
A narrativa é conduzida com delicadeza, o senso de humor jamais soa gratuito, e as atuações são um show à parte. 
Mas talvez a melhor coisa do filme seja sua maturidade em sua crítica. Ele não aponta culpados nos acontecimentos: a patroa, na sua visão, trata bem a empregada e recebe bons serviços em troca; enquanto a empregada se sente bem tratada (o filme dá até a entender que ela ganha um salário satisfatório) e jamais oprimida. Mas o que está errado é ali é a relação em si, que perpetua uma superioridade de classes, e, por consequência, o preconceito. É essa visão que é representada pela personagem da filha, que é uma estranha naquele mundo e enxerga a injustiça.
É claro que aqui e ali o filme tem um ou outro pequeno deslize (a subtrama envolvendo o personagem do Lourenço Mutarelli poderia ser um desastre se não fosse sua excelente interpretação, já a metáfora do "rato na piscina" não deixa de soar um pouco óbvia), mas para cada momentos desse, o filme reserva outros únicos e de sensibilidade ímpar (só a cena da Val na piscina já disfarçaria metade de quaisquer eventuais deslizes que o filme poderia ter).
Como um todo, "Que Horas Ela Volta?" é um filme belo, inesquecível, e que funciona muito bem como um retrato de um país em mudança. Nota: 5/5

À Beira do Abismo – Asger Leth: Tem momentos de tensão interessantes, mesmo que às vezes soem um pouco forçados. Nota: 3/5

Bling Ring – A Gangue de Hollywood – Sofia Coppola: Não deixa de ser um tanto quanto monótono, mas o estilo da Sofia Coppola cai muito bem à proposta do filme, deixando-o muito divertido e agradável de se assistir, além de conseguir fazer uma crítica ao endeusamento das celebridades sem parecer cínico ou pedante. Nota: 4/5

Embriagado de Amor – Paul Thomas Anderson: Mais um filme admirável do Paul Thomas Anderson, e que só fica melhor depois de uma segunda visita. 
As atuações são ótimas e a atmosfera de desconforto é diferente de tudo que o diretor fez em sua carreira. 
O cuidado no desenvolvimento do protagonista é notável, como sempre, e a estética é deslumbrante (destaque para a cena que deu origem ao pôster). 
Acho particularmente notável como ele consegue fazer uma interessante conversa com o Boogie Nights (e de certa forma, com outros trabalhos do diretor também), pois, acima de tudo, o que seus protagonistas precisam é de um pouco de amor. Nota: 4/5

Confissões – Tetsuya Nakashima: A primeira parte é espetacular: empolgante, brutal e marcante. Já o restante do filme fica bem aquém do esperado, sendo extremamente irregular, com uma estrutura fragmentada que impede um ritmo coeso, além de esteticamente monótono, tendo em vista que o filme todo é filmado com uma paleta cheia de azul, que praticamente elimina todas outras cores, e impedem um deslumbramento visual. Nota: 3/5

Três é Demais – Wes Anderson: Entra facilmente entre os melhores trabalhos do Wes Anderson, sendo extremamente original e divertido, mesmo que perca um pouco o fôlego em sua meia hora final. Nota: 4/5

Ruína Azul – Jeremy Saulnier: A história é até que simples, mas ela é contada de uma maneira tão interessante e envolvente, que nem importa. Nota: 4/5

King Kong – Ernest B. Schoedsack e Merian C. Cooper: É impressionante que este filme tenha sido feito em 1933, pois ele basicamente define todas as regras que os filmes de monstros gigantes iriam seguir dali para frente. A única coisa que diferencia ele de um filme feito hoje são seus efeitos visuais, mas que ainda assim, para a época, eram perfeitos. Nota: 5/5


O Tesouro de Santa Madre – John Huston: Um filme sobre o declínio moral do Homem pela ganância. Me lembrou um pouco o "Sangue Negro". Nota: 4/5